Vidas Secas, livro de Graciliano Ramos, e A Odisseia, filme de Christopher Nolan
Rafhael Frattari e Katryn Rocha
Vidas Secas, livro de Graciliano Ramos
Vidas Secas é certamente um clássico nacional que imortalizou a cachorra Baleia como uma das personagens mais marcantes da literatura brasileira, uma espécie de Capitu canina, com a diferença de que a eventual traída foi ela, a cachorra.
O livro narra a saga de uma família de retirantes nordestinos que enfrenta maus bocados durante uma seca severa na região. Esses momentos passam, mas deixam marcas profundas em todos os integrantes, e se fazem presentes quando eles se estabelecem em uma propriedade de senhores, submetidos a um regime que lembra a servidão.
O livro aborda questões sociais relevantes, que, muitas vezes, condicionam as próprias possibilidades de autonomia das pessoas. É uma obra curta, mas poderosa, que mostra o Brasil profundo, ainda rural, e pode representar várias realidades atuais.
Deve ser lido pela primeira vez e relido por quem o leu na adolescência, como foi o meu caso. Vale muito a pena. Um “livraço”, assim como Angústia e São Bernardo, também obras ficcionais de Graciliano Ramos.
Rafhael Frattari
Sócio-fundador responsável pela Área Tributária do VLF Advogados
A Odisseia, filme de Christopher Nolan
A Odisseia parece menos uma mudança de rumo na carreira de Christopher Nolan e mais o destino para o qual sua filmografia sempre apontou. Ao adaptar o poema de Homero, o diretor reencontra algumas de suas grandes obsessões: o tempo, a ausência, a memória e a difícil tentativa de voltar para casa.
A grandiosidade das imagens impressiona, mas é no desgaste de Odisseu que o filme realmente encontra força. Matt Damon interpreta um herói menos definido por suas vitórias do que pelo peso acumulado de cada escolha. Odisseu surge como o “homem brilhante” no fim do mundo, aquele em que todos depositam a esperança de sobrevivência. Essa representação também provoca uma questão incômoda: por que continuar acreditando que a inteligência de um único indivíduo excepcional será suficiente para salvar a população de crises coletivas?
Mesmo quando a narrativa tropeça no excesso e na solenidade, Nolan transforma o épico em uma experiência íntima sobre aquilo que perdemos durante o caminho. Visualmente arrebatador e emocionalmente mais melancólico do que triunfal, A Odisseia merece ser vista na maior tela possível.
Katryn Rocha
Auxiliar de Comunicação do VLF Advogados